No último domingo, enquanto mexia na bagunça do meu guarda-roupa, encontrei um dos últimos livros da minha adolescência tardia: "Os garotos da minha vida", de Beverly Donofrio. Nele, a autora narra a sua vivência com os diversos garotos que fizeram parte da sua vida. Pela primeira vez me dei conta da minha realidade, e me identifiquei com algum autor. Eu simplesmente poderia discorrer sobre as garotas da minha vida.
Cresci em meio a mulheres: mãe, irmãs, incontáveis primas e amigas. Meu pai passava a maior parte do tempo fora de casa, então tive uma educação essencialmente feminina, inevitavelmente. Aprendi sobre moda e maquiagem, sobre novela mexicana, e a cozinhar e manter uma casa em ordem. Sobre ginástica olímpica. Não sei absolutamente nada sobre futebol, videogame e Cavaleiros do Zodíaco, e costumo me divertir com isso.
Aprendi, sobretudo, a ter ouvidos atentos, a conhecer um pouco sobre a sensibilidade humana, sem que para isso precise apelar para a emotividade barata. A dar o espaço que as pessoas precisam para serem elas mesmas, mas também a ser perspicaz o suficiente a ponto de não permitir que se aproveitem da minha nobreza, sem nunca precisar fazer cara feia. A escutar silêncios, respirações e olhares, e saber que na maioria das vezes estes falam mais que palavras. A ser complexo, burocrático e meio complicado. E a evitar que as demais pessoas conheçam essa parte, mesmo não conseguindo na maioria das vezes.
Então, pensando sobre isso, chego à conclusão que nunca trocaria nenhuma das garotas da minha vida nem por todos os garotos decentes do mundo. Em mim existe um pouco de cada uma delas.
E sobre o livro, fica a dica. Para aqueles que possuem espírito jovem.