sexta-feira, 26 de novembro de 2010

As memórias

   Uma amiga minha tem todos os azulejos do banheiro desenhados. Todos que oferecem possibilidade de acesso, mesmo em cima de um banco ou ajoelhado. Há pelo menos 5 anos vejo esses desenhos toda vez que entro lá. Hoje eu observei.
   Vi muitas marcas em vários deles. Dela, minhas, de alguns amigos. Pessoas que passaram e seguiram seu caminho, ou ficaram. Cada um deixou sua impressão sobre a vida, sobre o momento em que escrevia: desenhos, frases, trechos de músicas... Cada um deixou algo que naquele momento pensou que seria interessante o suficiente para ser lido várias e várias vezes. E eu fiquei tentando encontrar um pouco de cada pessoa em cada detalhe percebido.
   Pensei na minha amiga, ao notar que mais da metade dos azulejos foram decorados por ela, e tentei imaginar quantas imagens dela haviam ali, cada momento que nós vivíamos em cada escrito. Então me veio à mente que muito do que havia sido deixado não mais seria "filosofia de banheiro" nos dias atuais, mas já foi muito significativo algum dia. Compreendi, portanto, que ali ela reproduziria o filme da sua juventude, sempre que quisesse.
   E me permiti sentir inveja.

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