Dois dias depois do encontro com minhas amigas e alguns dias depois de ter dado conta de parte considerável do que para mim era a minha maior obrigação do ano (ou da vida, talvez), fui a uma festa com alguns dos meus amigos e amigas.
Algumas horas depois da chegada, enquanto alguns começavam a reclamar que esta não estava sendo tão boa quanto esperavam, eu só curtia. A banda se esforçava, mas não conseguia agradar todo mundo, e eu só curtia. A bebida acabou antes da hora, e eu só curtia.
De repente eu me dei conta que não era aquela situação que me agradava, mas o fato de que depois de tantos meses eu me sentia realmente livre. Durante algum tempo eu me questionei se conseguiria isso ainda. Mas estava acontecendo, eu não podia (nem queria) evitar. A única coisa que me incomodava era a vontade incontrolável de dizer pra todo mundo o que estava sentindo, mas claro que isso eu não faria.
Na volta pra casa a mistura das primeiras luzes da manhã com as luzes artificiais que atravessava minhas lentes sem anti-reflexo, pela primeira vez me lembrava que eu podia, ou melhor, que eu merecia estar ali. Era estranho me perceber nessa posição de merecedor de algo. Naquele momento, do alto da minha falta de sono, a única certeza que eu conseguia ter era a de que ainda dependeria de vários dias para processar tudo aquilo.
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