"Essa semana eu tava deitada no terraço lá de casa, pensando na vida, e lembrei que há 10 anos eu estava deitada no mesmo lugar, também pensando na vida. Só que eram coisas diferentes." Com isso foi iniciada a conversa. Discorremos sobre alguns de nossos planos e sobre o que pensamos em relação ao futuro. Eu quase fui insensível e disse que sendo assim ela não havia mudado muita coisa durante esse tempo, aí lembrei que há 10 anos eu também pensava muito, deitado exatamente na mesma cama sobre a qual eu digito agora.
Eu me achava meio esperto. Não pensava muito em outras pessoas, nem conseguia pensar a longo prazo. Tudo parecia estar bem próximo: o que faria no fim de semana, a prova no fim do mês, essas coisas que as pessoas de 16 anos pensam (ou que pelo menos creio que pensam). E me dava por satisfeito. A única coisa mais distante que conseguia pensar era se algum dia entraria numa calça 38. Isso eu consegui.
Os pensamentos de hoje sempre parecem mais complexos. E agora me esforço para compreender que aos 16 anos as saídas, as provas e as calças 48 eram quase tudo que tinha na minha vida. Em hipótese alguma eu conseguiria ir muito além. Então eu retorno aos questionamentos atuais, e me pergunto para quais deles conseguirei respostas.
Isso eu deixo para responder aos 36.
a coisa das repetições. né?
ResponderExcluirIsso mesmo. Me lembra um excelente e sempre atualíssimo texto de Freud.
ResponderExcluir