terça-feira, 9 de novembro de 2010

O fio

    Dia desses resolvi sair com um grupo de amigas, pois não nos encontrávamos todos os integrantes da formação inicial havia alguns anos. Estava com saudade e achava que merecia vê-las, então fiz um esforço especial para acordar num sábado sem aula às 8 da manhã.
   À primeira vista, os 5 reunidos novamente, as diferenças eram perceptíveis: cabelos, corpos, intenções. Era interessante perceber o quanto as diferenças imperavam entre nós e em relação ao que éramos num antigamente nem tão antigamente assim. Estávamos melhores (com certeza), mais bonitos e inteligentes e, talvez, sofisticados. Os assuntos eram outros: as havaianas coloridas deram espaço aos lançamentos conceituais da melissa, viagens pra casa da mãe foram substituídas por viagens a trabalho, paqueras da faculdade haviam virado vontade de morar junto, investimento em roupa nova já não se mostrava mais tão interessante perto da necessidade de investir em um carro ou numa casa, quem sabe.
   Parecíamos outros. Mas não, extamente nisso éramos nós mesmos. As dúvidas, os anseios, os desejos estavam todos lá, só não possuíam mais o  mesmo foco. E emergiam. Assim, à medida que conversávamos reconectávamos o fino fio que outrora já foi bem firme, e que por fino que seja de todo não se desfez, e talvez não se desfaça. Mas para isso precisaremos de mais alguns anos para testá-lo novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário