Sempre me achei esperto por não me iludir com saudades, mas os dias chuvosos me fazem reavaliar isso. Como por aqui estes não são frequentes, então sempre fui predominantemente esperto.
So que essa semana foi toda chuvosa, e todos os dias lembrei com uma certa nostalgia das manhãs acinzentadas nas quais ia passear no centro com a Maria, ou com outras amigas. Naquela época, mesmo a contradição entre nosso bolso raso e todos os estímulos natalinos não nos incomodava. Era ótimo apenas ter o que ver e conversar. Eu até esquecia o quanto manhãs chuvosas me irritavam, e o quanto me sentia incomodado com os pingos que acumulavam no meu cabelo ralo.
Então fui ao centro todos as manhãs da semana corrente, mesmo sem ter muito o que fazer por lá: segunda, terça, quarta... Eu poderia simplesmente resolver tudo em uma única manhã, mas não. E enquanto eu refletia, caminhando sozinho, cheguei à conclusão de que talvez exista ainda uma parte de mim perambulando por lá, observando e pensando, e morrendo de vontade de ter novamente a companhia certa para compartilhar cada momento.