quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O planejamento

   O intermédio entre o fim de um ano e o início do posterior sempre é permeado pela análise do que foi feito e do que se deixou de fazer. Não adianta, cada um tem a sua. Na minha sempre levo em conta os pecados que cometi, pois se é pra ir para o Purgatório prefiro saber em qual círculo minha alma irá se acomodar.  
   No ano que passou o pecado que mais cometi foi o da repetição (sim, para mim às vezes ela é um pecado), pois várias vezes repeti outros pequenos pecados que execraria em outras pessoas, ou até em mim mesmo. Talvez porque pela primeira vez em anos não havia feito uma lista de objetivos, então me vi livre para repetir e errar sem possuir um rumo certo para seguir. Por irônico que pareça, mesmo com tanto vaivém, no ano que passou consegui muito mais do que colocaria em qualquer lista. Então resolvi fazer o que me parece uma lista pequena e despretensiosa, decidindo não mais repetir.
   Para o corrente ano havia escolhido como pecados a vaidade e a avareza, mas não sei de que forma acabei substituindo pela inadequada combinação da preguiça com a gula. Talvez porque a lista é tão pequena que ainda nem dei à mesma a devida importância.
   E assim sigo minha vida mansa e sonolenta, fazendo um mínimo de esforço para pedir a São Tomás que me livre pelo menos da inveja. E guardando minhas energias para rir internamente (e, por isso, sem muito esforço) o riso rasgado dos que acreditam que se as coisas estão indo bem, elas podem ficar ainda melhores.

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